Crise na Capes desvela mais que problemas na Educação brasileira

Está por trás dessa conjuntura no órgão o desejo de abrir mais cursos superiores, a fim de beneficiar o setor privado de educação no País

Primeiro foi a crise no Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que revelou interferência do governo nos conteúdos do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), inclusive com pedidos de exonerações pelos organizadores do Exame Nacional. Leia nota da Contee sobre o assunto.

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O que nos revela a crise no Inep/Enem

Agora é a crise na Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), órgão do MEC (Ministério da Educação) responsável por fiscalizar os cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado do Brasil. Inclusive, com debandada de, até o momento, 80 pesquisadores.

A crise começou na última quarta-feira (24), quando 3 coordenadores de física renunciaram e os 18 consultores da área, em apoio, também entregaram as respectivas funções. Na última segunda-feira (29) foram 52 do grupo de matemática. Nesta quarta-feira (1º), outros 28, da química, se somaram.

Eles acusam a presidência da entidade de fazer pressão pela aprovação de novos cursos, incluindo EaD (Educação à Distância), o que beneficiaria especialmente o setor privado.

Ao mesmo tempo, a Capes, presidida por Cláudia Mansani Queda de Toledo, não se esmera em destravar na Justiça ação que questiona os métodos de avaliar cursos já existentes. Para eles (os pesquisadores), é preciso primeiro avaliar e, com base nestes resultados, aprovar novos cursos. Para a Capes, porém, as ações não estão interligadas, o que abriu uma zona de conflitos no órgão ligado ao Ministério.

Como se vê, está por trás da crise no órgão o desejo de abrir mais cursos superiores, a fim de beneficiar o setor, riquíssimo, diga-se de passagem, privado de educação. Nada poderia ser pior, pois a qualidade do ensino público brasileiro foi de mal a pior. E o setor privado, objetivamente, não está preocupado com esse grave desvio.

Essa movimentação do governo Bolsonaro, com o mandalete dele no MEC, o pastor Milton Ribeiro, desvela, portanto, grave descompromisso com a Educação no País, encoberto por interesses privados inconfessos.

A Contee se soma a todos aqueles que lutam por educação de qualidade no País e contra o atual governo que sucateia, mais ainda, este relevante segmento da sociedade brasileira, que se bem gestionado pode ajudar o Brasil na transição de país em desenvolvimento para país desenvolvido, com inclusão social, melhor distribuição de renda e justiça social.

Brasília, 2 de dezembro de 2021

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino

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