Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária celebra o MST

Com o lema “MST: 40 anos de Luta e Construção!”, ação envolve cerca de 50 Instituições de Ensino Superior

por MST

Entre os meses de abril e junho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em parceria com um conjunto de Instituições de Ensino Superior, professores universitários, organizações sociais e movimentos populares da Via Campesina Brasil, realizará a 11º edição da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária Popular (JURA).

A Jornada será lançada nesta quarta-feira (20) nas redes sociais, com o lema “MST: 40 anos de Luta e Construção!”, e pretende rememorar a trajetória histórica do MST e seu protagonismo na luta pela terra, se reafirmando como um dos movimentos populares mais importantes da América Latina. Nesse sentido, a JURA se posiciona como mais um espaço de promoção do estudo e de iniciativas que fortaleçam a organização social e a construção de lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras na atual conjuntura política.

Neste ano, a JURA mobiliza cerca de 50 instituições de ensino, centenas de professores universitários e milhares de alunos das cinco regiões do país. De acordo com Andrea Francine Batista, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Jornada Universitária é um momento fundamental, porque dá visibilidade a este necessário diálogo que deve existir entre os movimentos populares do campo e as universidades.

“Debater, estudar e pesquisar os temas, como a luta pela terra, a Soberania Alimentar, agroecologia, reforma agrária, cooperação, cultura, educação do campo, a juventude camponesa, os debates de gênero e feminismo no campo, a questão racial, entre tantos outros temas, contribuem para construir uma consciência crítica deste momento em que estamos vivendo e também dos desafios que o Brasil enfrenta”, explica Batista.

Atividades 2024

Um conjunto de atividades estão sendo pensadas, entre elas, destacam-se a realização de seminários, oficinas, ciclos de debates, confecção de materiais didático-pedagógicos, vivências em áreas de Reforma Agrária Popular, estudo do Programa Agrário do MST, feiras da Reforma Agrária, plantio de bosques, criação de viveiros de mudas e banco de sementes crioulas. Além disso, a JURA pretende construir um conjunto de ações que possibilite o envolvimento da sociedade, como a realização de feiras do livro, Mostras Culturais, de Cinema da Terra, Exposições Fotográficas, Mostras de Produções Audiovisuais, Oficinas de Arte, produção de painéis, murais ou estandartes, que possam resgatar a memória da luta pela terra no Brasil.

Um desafio já apontado para a Jornada deste ano é a necessidade de construção de formas para sua massificação, envolvendo mais Instituições de Ensino Superior, mais professoras(es) e um grande número de estudantes no conjunto das atividades e que estas resultem em ações que se estendam e repercutem para além da JURA.

Ainda no ponto de vista dos desafios, Rosana Fernandes, da coordenação nacional do MST e da coordenação político-pedagógica da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), explica que no marco dos 40 anos do Movimento é central “ampliar o debate e a compreensão sobre o MST e a Reforma Agrária Popular”.

“Entendemos que o nosso programa de reforma agrária para o país é uma alternativa aos problemas sociais, como o aumento da fome, o desemprego e é a garantia de melhorias nas condições de vida de maneira geral para a população brasileira”, afirma Fernandes.

Nesse sentido, ela conta que é fundamental também fortalecer uma rede de professores universitários engajados na defesa da Reforma Agrária Popular. “Essa rede precisa atuar na organização da JURA a cada ano ou nas parcerias que o MST desenvolve em cada estado. Parcerias em curso de graduação, pós-graduação, atividades de extensão, enfim”, finaliza.

A JURA foi gestada em 2013, a partir da animação do MST no 2º Encontro Nacional de Professores Universitários com o Movimento. Ela nasceu vinculada a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, conhecida também como abril de lutas ou abril vermelho, e, ao longo dos anos, tem ampliado a participação de sujeitos, organizações, territórios, temas e temporalidade, sem perder a centralidade da Reforma Agrária.

Desde então, a jornada tem aglutinado saberes e mobilizado Instituições de Ensino Superior; Grupos, Núcleos e Laboratórios de Estudo e Pesquisa; Programas de Pós-Graduação; Coletivos de Trabalho; Estudantes, Movimentos e Organizações Populares do Campo e da Cidade, articulados em torno da compreensão da questão agrária no Brasil e da construção da Reforma Agrária Popular.

Do Vermelho

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