Putin diz que guerra na Ucrânia se aproxima do fim e cita ex-chanceler alemão

Putin afirmou que a paz depende de um acordo sobre as causas profundas da guerra e sugeriu o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder como mediador europeu

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou neste sábado (9) acreditar que a guerra na Ucrânia “está chegando ao fim” e indicou o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder como seu interlocutor europeu preferencial para futuras negociações de paz.

As declarações ocorreram no Kremlin após as comemorações do Dia da Vitória, data que marca a derrota da Alemanha nazista pela União Soviética na Segunda Guerra Mundial.

Ao comentar o conflito iniciado após a escalada da crise entre Rússia, Otan e Ucrânia, Putin afirmou que “a questão está chegando ao fim” e voltou a defender uma solução negociada baseada em garantias de longo prazo para Moscou.

O presidente russo também disse estar disposto a se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.

“Seria possível um encontro em um país terceiro, mas apenas se houver um acordo definitivo sobre um tratado de paz com perspectiva de longo prazo”, declarou Putin, segundo a agência estatal russa TASS.

O Kremlin tem insistido que qualquer negociação deve levar em conta o que Moscou chama de “causas profundas do conflito”, incluindo a expansão da Otan para o Leste Europeu e o apoio militar ocidental a Kiev.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de negociações com líderes europeus, Putin respondeu que sua preferência seria conversar com Gerhard Schröder, chanceler da Alemanha entre 1998 e 2005 e um dos poucos dirigentes europeus que mantiveram relações políticas com Moscou mesmo após o agravamento do conflito.

“De todos os políticos europeus, eu preferiria conversar com Schröder”, afirmou.

Schröder tornou-se figura isolada após aproximação com Moscou

Schröder mantém relação próxima com Putin há mais de duas décadas e foi um dos principais defensores da cooperação energética entre Alemanha e Rússia.

Durante seu governo, apoiou os projetos dos gasodutos Nord Stream e aprofundou os laços econômicos entre Berlim e Moscou. Após deixar o cargo, passou a ocupar posições em empresas russas como Gazprom, Rosneft e Nord Stream AG.

A proximidade com o Kremlin transformou o ex-líder social-democrata em alvo constante de críticas na Alemanha e em outros países europeus após o início da guerra em 2022.

O Parlamento alemão retirou dele privilégios concedidos a ex-chanceleres, enquanto dirigentes do próprio Partido Social-Democrata (SPD) tentaram expulsá-lo da legenda.

Mesmo assim, Schröder continuou defendendo uma solução diplomática para o conflito. Em entrevistas recentes à imprensa alemã, afirmou que negociações diretas com Putin seriam “a única forma” de encerrar a guerra e argumentou que uma derrota total de qualquer dos lados não seria viável.

Também criticou a tentativa de transformar a Rússia em “inimigo eterno” da Europa.

A escolha de Schröder feita por Putin ocorre em meio a sinais de movimentação diplomática na Europa. O jornal Financial Times informou nesta semana que governos europeus discutem possíveis cenários para negociações futuras, enquanto o Kremlin declarou que cabe aos países europeus retomarem os contatos diplomáticos interrompidos após 2022.

Celebração do Dia da Vitória reforça discurso russo sobre confronto com a Otan

As declarações de Putin ocorreram após o desfile do Dia da Vitória em Moscou, principal data cívico-militar da Rússia contemporânea. O evento homenageia a vitória soviética sobre o nazismo e tem sido utilizado pelo Kremlin para reforçar a narrativa de que o país enfrenta novamente uma confrontação estratégica com o Ocidente.

No discurso oficial, Putin voltou a afirmar que a Rússia enfrenta “todo o bloco da Otan” no conflito ucraniano e elogiou as forças russas pelos “avanços” militares obtidos nos últimos meses. Moscou sustenta que a guerra deixou de ser apenas um confronto bilateral com Kiev e passou a envolver diretamente a estrutura militar e política da aliança atlântica.

Apesar do enorme custo humano e econômico da guerra, a Rússia ampliou sua capacidade industrial militar nos últimos anos e aprofundou relações com países do Sul Global, incluindo China, Índia e membros do BRICS. O Kremlin também busca romper o isolamento diplomático imposto pelas potências ocidentais desde 2022.

A possibilidade de uma negociação permanece cercada de impasses. Moscou exige reconhecimento territorial das regiões anexadas e garantias de neutralidade da Ucrânia, enquanto Kiev continua defendendo a retirada russa dos territórios ocupados e a manutenção do apoio militar ocidental.

Por Lucas Toth

Fonte
Vermelho

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