Quase 5 mil acadêmicos belgas pedem rompimento com instituições israelenses

Documento cobra a suspensão de parcerias acadêmicas e maior apoio ao ensino superior palestino

Um grupo de cerca de 4,7 mil funcionários, estudantes e detentores de títulos honorários de universidades da Bélgica lançou nesta terça-feira (02/06) uma carta aberta pedindo que as instituições de ensino superior do país rompam todos os laços com universidades e empresas israelenses que, segundo os signatários, estejam envolvidas em violações do direito internacional.

Intitulado Não há honra na cumplicidade, o documento reúne aproximadamente 1,1 mil professores universitários e 50 doutores honoris causa, tornando-se uma das maiores mobilizações acadêmicas da história recente da Bélgica. De acordo com os organizadores, os signatários representam mais de 10% de todo o corpo docente universitário do país.

De acordo com o portal de notícias, Al Jazeera, na carta o grupo afirma que as universidades belgas devem encerrar colaborações institucionais com entidades israelenses em razão da guerra na Faixa de Gaza e da situação nos territórios palestinos ocupados.

“As universidades não podem mais invocar neutralidade ou complexidade institucional enquanto mantêm colaborações com instituições envolvidas em ocupação, apartheid e violência genocida”, afirma o documento.

Os signatários apresentam quatro reivindicações principais: o encerramento de todas as colaborações existentes com instituições e empresas israelenses consideradas envolvidas em violações do direito internacional; uma moratória sobre novas parcerias; pressão das universidades sobre autoridades belgas e europeias para o cumprimento das obrigações legais internacionais; e apoio estrutural ao ensino superior palestino por meio de bolsas de estudo, programas de pesquisa e cooperação acadêmica.

Entre os apoiadores da iniciativa estão a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese; a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard; a ativista climática Greta Thunberg; o escritor laureado com o Nobel J. M. Coetzee; e o ator e escritor Stephen Fry.

Para o periódico, a especialista em Oriente Médio da Universidade de Ghent, Brigitte Herremans, afirmou que as instituições acadêmicas europeias devem reconhecer as consequências das violações do direito internacional atribuídas a Israel e suspender parcerias com instituições envolvidas nessas ações.

Segundo os organizadores, a campanha faz parte de um movimento internacional mais amplo formado por universidades, pesquisadores e organizações da sociedade civil que defendem medidas institucionais em resposta às políticas israelenses nos territórios palestinos e à destruição de instituições de ensino em Gaza.

Os signatários também argumentam que suas reivindicações encontram respaldo em decisões recentes do Tribunal Internacional de Justiça relacionadas à ocupação israelense dos territórios palestinos.

Fonte
Opera Mundi

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