“Dark Horse”: Deputados progressistas apontam novos indícios de lavagem de dinheiro
Parlamentares enviaram documentos a integrantes do Partido Democrata dos EUA que reforçam a hipótese de irregularidades no filme de Bolsonaro
Parlamentares brasileiros do campo progressista encaminharam, nesta quinta-feira (11), novos documentos a integrantes do Partido Democrata dos Estados Unidos. O material reforça suspeitas sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).
Os documentos foram enviadso pelo líder da bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC); pelo vice-líder do Governo, Pedro Campos (PSB-PE); pela líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ); e pelo deputado André Janones (Rede-MG).
A “Petição de Juntada de Fatos Novos” se baseia em reportagem publicada pelo The Intercept Brasil, em 9 de junho de 2026, intitulada “Planilha e comprovante bancário mostram como Vorcaro enviou dinheiro aos EUA para financiar Dark Horse”. O portal divulgou documentos e registros bancários referentes ao financiamento da produção audiovisual.
Os parlamentares avaliaram que as novas evidências ampliam os indícios de uma possível rota financeira internacional envolvendo Daniel Vorcaro, estruturas ligadas ao Banco Master, empresas associadas e pessoas próximas à família Bolsonaro.
Pedro Uczai e os demais parlamentares estiveram nos Estados Unidos, na semana passada, para apresentar denúncias às autoridades e a congressistas democratas. O grupo já argumentava que havia fortes indícios de que parte dos recursos destinados ao financiamento de Dark Horse tenha sido transferida para um fundo sediado no Texas e administrado pelo ex-deputado conspirador Eduardo Bolsonaro.
Entre os documentos mencionados no aditamento, feito nesta quinta (11), está uma planilha denominada Funding Schedule, que detalharia cronograma de financiamento de quase US$ 24 milhões para o projeto. De acordo com a reportagem, o documento registra aportes previstos e valores recebidos por um fundo ligado à produção do filme.
No material enviado, consta o cronograma que previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Ao final do período, o fundo teria recebido US$ 10,6 milhões.
Transferência sob investigação
O principal fato novo apresentado foi um comprovante de transferência internacional emitido pelo sistema SWIFT, datado de 13 de fevereiro de 2025. O documento indicaria uma remessa de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP.
A reportagem do Intercept destacou, também, que o fundo seria controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A operação teria sido realizada pela Entre Investimentos e Participações Ltda., processada pelo Banco BS2 e destinada a uma conta vinculada ao JPMorgan Chase Bank, nos Estados Unidos.
Os parlamentares têm convicção de que a existência do comprovante bancário representa um novo patamar na apuração.
“Há, segundo a reportagem, planilha de financiamento, cronograma de desembolsos, mensagens entre operadores, comprovante SWIFT e identificação de remetente, banco intermediário, fundo destinatário e instituição financeira norte-americana vinculada à conta de destino”, destacou o novo documento enviados aos democratas dos EUA.
O material também apontou que, caso a autenticidade do comprovante seja confirmada pelas autoridades competentes, a investigação deixaria de se concentrar somente em tratativas e passaria a examinar a circulação efetiva de recursos por intermédio do sistema financeiro internacional.
“Não se trata apenas de examinar eventuais tratativas políticas ou mensagens sobre financiamento. Trata-se de apurar a circulação efetiva de valores em dólares, por meio do sistema financeiro internacional”, acrescentaram os deputados.
Vínculo com o filme
Outro ponto considerado importante pelos autores da denúncia é uma mensagem atribuída a Fabiano Zettel enviada a Daniel Vorcaro, em 14 de fevereiro de 2025, um dia após a liquidação da transferência.
De acordo com a reportagem, o comprovante teria sido enviado junto com a mensagem “Filme!”, o que, na avaliação dos parlamentares, reforçaria a ligação direta entre a remessa internacional e o financiamento da cinebiografia de Bolsonaro.
“Esse elemento reforça a hipótese de que a operação financeira não era isolada, nem dissociada do projeto audiovisual”, afirmaram os parlamentares brasileiros.
O documento mencionou, também, que dificuldades para realizar a operação por meio do Banco Master teriam levado ao uso da estrutura da Entre Investimentos e Participações como remetente da transferência internacional.
Aprofundamento das investigações
Os parlamentares ressaltaram que os novos documentos reforçam a necessidade de investigação sobre vários aspectos: origem dos recursos, eventual participação de intermediários financeiros e identificação dos beneficiários finais das operações.
O texto destacou, ainda, que a Entre Investimentos e Daniel Vorcaro negaram vínculo societário, de controle ou governança. Porém, os autores da denúncia argumentaram que a negativa não elimina a necessidade de esclarecimentos a respeito da origem dos valores e a estrutura usada para a remessa dos recursos ao exterior.
A denúncia citou áudios divulgados pelo Intercept Brasil nos quais o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria solicitado R$ 164 milhões a Daniel Vorcaro para financiar a produção. O documento apontou que R$ 61 milhões teriam sido liberados inicialmente.
Os parlamentares defenderam que as novas informações justificam a ampliação da cooperação internacional para investigar a movimentação dos recursos e eventuais responsabilidades civis ou criminais dos envolvidos, de acordo com informações do PT na Câmara.




