PT aciona TSE para tirar do ar site ligado ao PL e suspender ‘hub’ de desinformação bolsonarista
Partido acusa página de distribuir conteúdos manipulados e deepfakes para inflar redes sociais e atacar Lula
247 – O PT protocolou, na quinta-feira (6), uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) requerendo a remoção imediata de conteúdos veiculados pelo site Direita Já, plataforma vinculada ao PL. A sigla alega que a página funciona como uma central de distribuição de desinformação para impulsionar a militância digital bolsonarista.
De acordo com o documento apresentado pela coligação, o portal opera como um verdadeiro “hub de alimentação de outras páginas na internet”, disponibilizando um fluxo constante de artes gráficas, cards e vídeos. A estimativa apontada na ação é de que a plataforma libere até 50 publicações por semana, cuja maioria é composta por investidas e ataques direcionados ao presidente Lula (PT) e aos seus aliados políticos.
Estrutura de incentivo a influenciadores digitais
Um dos pontos centrais da representação ao TSE envolve o programa batizado de “creators”, mantido dentro da própria estrutura da página. Por meio dessa iniciativa, influenciadores digitais realizam um cadastro fornecendo dados sobre seus perfis nas redes sociais e recebem a promessa de alcançar uma audiência de até 50 milhões de visualizações caso repliquem o material disponibilizado pelo site.
Para a defesa do PT, o material distribuído tem como finalidade explícita desestabilizar a imagem do governo e do partido por meio de ferramentas de manipulação digital e descontextualização severa de fatos.
“Essa ‘munição visual’ fornecida pelo Partido Liberal carrega o intento explícito de atacar Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores, com conteúdo composto por uma mistura de elementos degradantes a Lula e ao PT, inclusive repletos de deep fakes”, sustenta a representação jurídica do partido.
Ataques, acusações sem provas e descumprimento de decisões do TSE
A peça jurídica detalha que a plataforma intercala publicações de exaltação ao senador Flávio Bolsonaro e ao seu pré-candidato a vice, Alfredo Gaspar, com conteúdos ofensivos e acusações sem fundamentação. Entre o acervo disponibilizado para download e republicação em massa, figuram postagens que tentam associar o presidente Lula aos escândalos do Banco Master e do INSS, além de materiais que vinculam falsamente o chefe do Executivo a organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho e o narcotráfico.
O PT ressalta que as publicações distribuídas pela estrutura mantida pelo PL contrariam frontalmente diretrizes e jurisprudências já pacificadas pela própria Justiça Eleitoral para combater a veiculação de notícias falsas.
“Muitos desses conteúdos (feitos pelo PL, disponibilizados coordenadamente para qualquer usuário e para influenciadores) confrontam as decisões deste TSE inseridas no chamado ‘Repositório – Enfrentamento à desinformação’, a respeito de conteúdos já carimbados pelo Tribunal Superior Eleitoral como ‘fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados que atinjam a integridade do processo eleitoral’”, aponta o texto da ação.
Pedidos de suspensão e investigação de financiamento público
Diante das irregularidades apontadas, o PT solicita que o TSE determine a remoção imediata dos conteúdos ilegais identificados na plataforma, além da suspensão integral do programa “creators”.
Por fim, a representação requer a abertura de uma apuração rigorosa para verificar se recursos públicos originários do Fundo Partidário ou do Fundo Eleitoral estão sendo utilizados pelo PL para custear a produção do material irregular ou para remunerar a rede de influenciadores digitais cadastrados no sistema.





