Anulação de votação do impeachment reforça necessidade de continuidade da mobilização contra golpe

A decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), nesta segunda-feira (9), de acatar o pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU) e anular as sessões do dias 15 a 17 de abril, que resultaram na aprovação da continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, foi recebido com uma cautelosa comemoração.
“A decisão de Waldir Maranhão foi fundamentada na irregularidade e ilegalidade da forma como o processo de impeachment foi conduzido”, aponta a coordenadora da Contee, Madalena Guasco, que estava no Palácio do Planalto quando o mesmo foi ocupado pelos movimentos sociais. “Foi um dia histórico. Um dia em que o povo tomou de volta sua casa”, comenta.
Mesmo assim, Madalena destaca a importância da continuidade da mobilização popular. “É importante reforçar a decisão, que vai ao encontro dos desejos da Contee, mas que ela não nos deixe esmorecer. Muita especulação vem sendo levantada e é preciso continuar mobilizado, pois ainda há muita insegurança no que de fato pode acontecer na Câmara. Não podemos deixar que as forças conservadoras e reacionárias usem desse fato como uma artimanha de desmobilizar os movimentos sociais”, defende a coordenadora.
O Dia Nacional de Paralisação e Mobilização contra Golpe em todo o Brasil, que será realizado nesta terça-feira (10), ganha ainda mais importância agora. Organizado pela Frente Brasil Popular e apoiado pela Contee, os trabalhadores e trabalhadoras têm como pauta a defesa da democracia, dos direitos trabalhistas, sociais e humanos e contra o golpe que está em curso no Brasil.
“A mobilização será essencial para buscar dar força à agenda permanente em defesa da democracia e contra um eventual governo do vice-presidente Michel Temer. Convocamos as entidades a se juntarem nessa luta do povo contra as forças conservadoras e golpistas que tentam tomar à força o poder no Brasil”, defendeu a coordenadora da Contee, Madalena Guasco.
Em todo o país serão realizados atos, como paralisações, atrasos de entrada, fechamentos de estradas e principais vias de acesso, passeatas, assembleias populares, ocupações de escolas e universidades, intervenções políticos-culturais e outras iniciativas das centrais sindicais e movimentos sociais organizados do campo e da cidade, da esquerda popular-democrática, unidos e comprometidos em barrar o golpe, que é contra o Brasil e o povo brasileiro.
A grande mídia e os golpistas já começaram a reunir para derrubar a decisão de Maranhão. A resposta deve continuar a vir das ruas. Nelas reuniremos jovens, trabalhadores e educadores, do Brasil e do mundo. Vamos à luta!





