COMPARTILHE

“Neste momento adverso, em que o Governo Bolsonaro naturalizou a morte de mais de 143 mil brasileiros e sem a presença do Ministério da Educação na discussão sobre a volta às aulas, estamos realizando a primeira live da Contee, para debatermos VOLTA ÀS AULAS? O que sustenta e a quem interessa o discurso do retorno às aulas presenciais”. Assim a coordenadora da Secretaria de Assuntos Educacionais, Adércia Hostin, deu início aos trabalhos desta quarta-feira, 30, na internet. Com a participação de Daniel Cara, cientista político, doutor em Educação, professor da USP e membro da Campanha Nacional pelo Direito à Educação; e Hermano Castro, pneumologista, doutor em Saúde Pública e diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, o evento foi transmitido pela tvconteeonline no YouTube e pelo Facebook. Contou com a interpretação em libras, por Eduardo Martins, e com o apoio da coordenadora da secretaria geral em exercício, Cristina Castro.

Quem pressiona pela volta às aulas

Daniel Cara foi o primeiro a fazer exposição, denunciando que “o que mais determina o retorno às aulas hoje é a visão mercantilista da educação – e a Contee é uma das mais importantes entidades a lutar contra a concepção da educação como mercadoria. No Governo Bolsonaro, vivemos um cenário em que o ataque à educação é permanente. O presidente esposa a concepção autoritária do Escola sem Partido e quer a militarização do ensino. O governo federal se omitiu, criminosamente, no enfrentamento à pandemia. A educação entrou em processo de quarentena e cumpre o isolamento social muito mais do que outras áreas. Importante deixar claro que os profissionais da educação estão trabalhando muito mais do que no período de aulas presenciais, mas só aceitaremos a volta às escolas com segurança sanitária”.

Para o expositor, o primeiro fator de pressão pela volta às aulas presenciais “é o econômico, por parte de empresários e por setores da classe média que precisam deixar os filhos na escola para suas atividades profissionais. Mas o retorno das atividades sem garantias sanitárias levará ao adoecimento maior da população, piorando inclusive a situação econômica. A segunda pressão diz respeito aos prejuízos pedagógicos – mas é uma falsa questão, pois os professores sequer são ouvidos, não participam das tomadas de decisão. Temos profissionais da saúde na gestão da saúde, mas não temos educadores na gestão da educação… Na prática, a chamada pressão pedagógica é também pressão econômica. Por último, há a pressão, pela qual tenho o maior apreço, a pressão social, levando em conta a proteção das crianças e estudantes, o atendimento às políticas públicas – mas isso pode acontecer sem retorno às atividades presenciais”.

Evitar transmissão na comunidade

Hermano Castro denunciou que “os recursos na saúde pública estão sendo reduzidos, o que dificulta o enfrentamento da pandemia. Saúde e educação são áreas centrais, que foram deixadas de lado pelo governo. A ciência aponta caminhos, mas sofre com as políticas negacionistas que estão sendo adotadas. Os Estados Unidos e o Brasil foram os países que mais negaram as orientações científicas no enfrentamento à pandemia, e são os que registram mais mortes no mundo. Países que têm atendimento básico à saúde da família são os que melhor enfrentam a pandemia”.

Segundo o especialista, “no Brasil, o investimento na saúde pública ainda está para ser feito – e precisa ser feito, urgentemente. É provável que atravessemos o ano com cerca de 200 mil mortos pela pandemia – e isso sem considerarmos as subnotificações. A economia na frente da saúde é um desastre. Libera-se comércio, praia etc. e dez, 30 dias depois aumenta o número de mortes’.

De imediato, ele indicou cinco estratégias para enfrentar a pandemia, enquanto não surge a vacina contra a covide-19: 1) uso correto e consistente de máscaras, 2) distanciamento social, 3) higiene das mãos e etiqueta respiratória, 4) limpeza e desinfecção e 5) triagem de contatos em colaboração com a autoridade sanitária local. Alertou: “Uma pessoa doente pode contaminar três, quatro pessoas; cada uma dessas pessoas pode passar o coronavírus para outras três ou quatro, e assim por diante”.

Terminou com um apelo: “É necessário que as escolas reabram com a maior segurança e rapidez possível – e isso depende de como evitar a transmissão na comunidade. Fiquem em casa, protejam-se, não vão aonde não precisam ir. É sofrido, estamos no esgotamento, mas é necessário. Ciência, saúde e educação para todos, é o que desejo”.

Adércia encerrou o evento enfatizando que “a Contee conclama que prefeituras e estados não permitam a volta às aulas sem as garantias sanitárias. A vida acima do lucro!”

A Contee disponibiliza a íntegra do debate:

Carlos Pompe

COMPARTILHE

RESPONDER PARA:

POR FAVOR ENTRE COM SEU COMENTÁRIO!
POR FAVOR ENTRE COM SEU NOME