Sinpro/RS: Ocupação de leitos de UTI ultrapassa 90% e deixa hospitais de Porto Alegre em estado de alerta

Aumento de casos graves de Covid-19 somado à demanda por UTI para pacientes de outras enfermidades aumenta pressão sobre o sistema de saúde

Por Marcelo Menna Barreto 

O retorno do crescimento da pandemia em Porto Alegre continua. Na quarta-feira, 25, de acordo com dados consolidados pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS), 249 Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) da capital estão sendo ocupados por pacientes vitimados pela Covid-19. São 248 adultos e uma criança com a doença confirmada. A situação é preocupante porque, somando outras enfermidades, as UTIs estão perto de sua ocupação total, com lotação de 91,02% de leitos para adultos e 80,19% para crianças.

De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS), o Rio Grande do Sul tem 306.335 casos confirmados, sendo 4.654 registrados nas últimas 24 horas, e 6.639 mortes, das quais 66 notificadas desde a terça-feira, 24. A taxa de ocupação de UTIs no estado atingiu 75,7% – são 1.917 pacientes em 2.531 leitos. Porto Alegre tem 54.770 casos confirmados e 1.482 óbitos confirmados.

Hospitais públicos e privados no limite

Se por um lado Porto Alegre é a segunda capital brasileira com o maior número de leitos para tratamento intensivo por 100 mil habitantes no Brasil e está com 31,67% de suas UTIs ocupadas pela Covid-19, dados vindos da rede hospitalar pública e privada ligaram o sinal de alerta para o retorno do crescimento de casos do novo coronavírus.

O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), que detêm o maior número de leitos (147) está com 56 dos 58 leitos destinados a pacientes Covid-19 ocupados.

Na consolidação diária que o Clínicas faz, no início desta manhã ainda contabiliza 25 adultos internados em condições estáveis, 10 em estado de emergência e oito casos suspeitos. Entre as internações no hospital, que é gerido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), ainda se encontra uma grávida.

O Hopital Nossa Senhora Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) tem 75 leitos operacionais UTI, dos quais 70 estão ocupados, sendo 28 pacientes Covid-19. O segundo maior hospital-referência em Covid-19 da capital, a Santa Casa de Misericórdia, está com lotação de 103 dos 127 leitos disponíveis, dos quais são 35 pacientes graves de Covid-19.

Momento de apreensão

Mas não é só o hospital da Ufrgs, que no auge da pandemia chegou a dedicar 105 leitos para a Covid-19, que se encontra em momento de apreensão. Importantes hospitais da rede privada de Porto Alegre começam a apresentar a ameaça de saturação da totalidade dos seu leitos de UTI.

É o caso do Moinhos de Ventos, que opera com 61 leitos para tratamento intensivo e está com 31 ocupados por portadores do novo coronavírus. Em uma situação um pouco melhor, o Mãe de Deusestá com 24 dos seus 60 leitos ocupados.

No monitoramento que contempla os 17 maiores hospitais do município, ainda é verificado que 16 casos graves de pacientes internados em emergências aguardam leito de tratamento intensivo.

Pacientes em ventilação mecânica fora de uma UTI, em Porto Alegre, hoje são nove, e crianças com suspeitas de Covid-19, quatro.

Esse quadro ameaça a situação dos atuais 31 pacientes sem Covid-19 que aguardam nos leitos das emergências por uma vaga para tratamento intensivo.

Com atuais 783 leitos de UTI operacionais para adultos, Porto Alegre chegou a 850 no até então auge da pandemia, entre setembro e agosto. Hoje, a ocupação das UTIs na cidade é o maior desde 27 de outubro, quando haviam 246 pacientes internados em leitos intensivos.

Aumento de casos e pandemia mais agressiva

Uma sequência de quedas e as boas notícias com avanços nas pesquisas para uma vacina eficaz contra a Covid-19 pareciam mostrar que a pandemia estaria com os seus dias contados na capital gaúcha. O melhor momento do município foi verificado no dia 5 de novembro passado, quando 197 pessoas estavam ocupando as UTIs das redes hospitalares públicas e privadas.

Desde esse dia, no entanto, houve uma virada. Houve uma interrupção na queda que vinha se acentuando no número de contágios seguida de um crescimento do número e da gravidade dos casos confirmados de Covid-19.

O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre reiterou a reivindicação à SMS de continuidade da testagem para todos servidores da saúde e o fornecimento adequado de EPIs, bem como a transferência do local da tenda de atendimento aos pacientes suspeitos de contágio pelo coronavírus no posto Modelo da capital. Dois servidores da Saúde morreram nos dia 17 e 18 de novembro depois de contraírem o vírus no local.

Nova onda: recorde mundial de mortes

A última terça-feira, 24, registrou um novo recorde global diário de mortes por Covid-19 e o total de vítimas ultrapassou 1,4 milhão, de acordo com a plataforma de acompanhamento da pandemia da Universidade Johns Hopkins (EUA) divulgado nesta quarta-feira, 25.

Foram 12.785 óbitos, que superaram a marca anterior de 11.840 mortes registradas na sexta-feira, 20.

Durante quatro dias seguidos na última semana foram mais de 11 mil vítimas do novo coronavírus e 200 mil novas mortes em 23 dias.

A elevação do número de mortes coincide com a denominada “segunda onda” da pandemia, que vem varrendo com maior intensidade a Europa e já atingiu os Estados Unidos. O país mais populoso do mundo já ultrapassou as 250 mil mortes. Nas últimas 24 horas, os EUA registraram 2.146 novas mortes, a maior incidência desde 6 de maio. O Brasil já ultrapassou 170 mil óbitos e o México é o quarto país do mundo a superar as 100 mil vítimas fatais por Covid-19.

Do jornal Extra Classe, do Sinpro/RS

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