A Secretaria do Trabalho da Contee faz balanço das campanhas salariais de 2026
O Coletivo de Negociadores da Contee reuniu-se no dia 28 de maio para fazer o balanço das negociações coletivas concluídas até o momento e traçar os próximos passos da campanha salarial.
As negociações ocorrem em um contexto de reforma trabalhista que segue inspirando e servindo de mote para investidas contra os direitos da categoria, e um dos temas centrais do encontro foi a atuação dos grandes grupos educacionais, que vêm pressionando por retrocessos nas condições de trabalho em todo o país. A coordenação reafirmou a necessidade de uma estratégia nacional coordenada para enfrentar a mercantilização do ensino. Contudo, sem ferir a autonomia das entidades sindicais e as peculiaridades das negociações locais.
Os resultados revelam um padrão de conduta patronal que merece uma leitura estratégica. A maioria dos acordos ficou no limite da reposição inflacionária, quando muito. O ganho real foi exceção, não regra, e quando ocorreu, foi em proporções modestas. Isso sinaliza que a correção pelo INPC deixou de ser piso para se tornar teto em grande parte das mesas de negociação.
A inclusão do mediador pedagógico como auxiliar administrativo no escopo das convenções coletivas tornou-se uma questão crítica nas negociações. O patronato vem inserindo essa função unilateralmente, sem discussão prévia com a categoria, descobrindo-se a manobra apenas no momento da assinatura do acordo. Em outros casos, condiciona a própria assinatura à aceitação de novas funções precarizadas, representando uma ameaça às conquistas históricas da categoria. A vigilância permanente contra essas inclusões é importante para impedir que a precarização avance por dentro das próprias convenções coletivas.
O cenário reforça a urgência de três movimentos: fortalecer a coordenação nacional sem desrespeitar as autonomias estaduais; criar mecanismos de vigilância permanentes contra manobras patronais; e transformar a campanha salarial em uma disputa política mais ampla contra a mercantilização do ensino.
Como principal encaminhamento, ficou definida a realização do Seminário Nacional da Educação Mercantilizada no início de agosto, abrangendo educação básica e ensino superior. O objetivo é analisar os resultados das campanhas de 2026, aprofundar o debate sobre a mercantilização e preparar a campanha salarial de 2027.
Por Antônia Rangel




