Da escala 6×1 à igualdade salarial, mulheres da CTB definem agenda para o próximo período
A luta pelo fim da escala 6×1, a defesa da igualdade salarial e a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão estiveram no centro dos debates do 7º Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da CTB. Encerrado no último sábado (30), em São Paulo, o evento aprovou uma resolução que orientará a atuação da Central em todo o país e reafirma o compromisso das trabalhadoras com a defesa de direitos, o combate às desigualdades e a valorização do trabalho.
Realizado ao longo de dois dias, o encontro reuniu lideranças sindicais, representantes de movimentos sociais, integrantes do governo federal e trabalhadoras de diferentes categorias para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho e na vida política. A mesa de abertura contou com a participação da secretária da Mulher Trabalhadora da CTB, Kátia Branco, da dirigente da Contag, Vânia Marques Pinto, e também Nádia Campeão, presidenta do PCdoB. Ao longo da programação, os debates abordaram temas como violência de gênero, autonomia econômica, diversidade, participação sindical e os impactos das transformações no mundo do trabalho sobre a vida das mulheres.
Ao avaliar o encontro, Kátia Branco, afirmou que os debates reforçaram a unidade e a capacidade de mobilização das trabalhadoras.
“Foram dias de muito diálogo, aprendizado e unidade, que reafirmaram a força das mulheres trabalhadoras na defesa de direitos e na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Saímos deste encontro ainda mais mobilizadas para enfrentar os desafios que estão colocados, lutar pelo fim das desigualdades, pela valorização do trabalho, pela ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder e por uma vida livre de violência. A resolução aprovada expressa a voz das mulheres de todo o Brasil e será nosso guia para seguir avançando nas conquistas da classe trabalhadora”, afirmou para o site da entidade.
Os eixos da resolução aprovada
A resolução reafirma bandeiras históricas do movimento sindical feminino e também incorpora pautas que ganharam força nos últimos anos, entre elas a defesa da igualdade salarial e a redução da jornada de trabalho.
A mobilização pelo fim da escala 6×1 esteve entre os temas mais presentes nos debates. Em participação virtual, a deputada federal Daiana Santos defendeu a continuidade da articulação em torno da proposta, que ganhou projeção nacional ao colocar em discussão o direito ao descanso, à convivência familiar e à qualidade de vida dos trabalhadores.
“Tempo e qualidade de vida são direitos. Essa luta ganhou o apoio de milhares de brasileiros porque fala da vida real de quem acorda cedo, enfrenta longas jornadas e chega em casa sem energia para conviver com a família. Celebramos essa conquista, mas sabemos que ainda há muito a avançar.”
Realidades distintas, desafios comuns
Os debates mostraram que, embora as pautas sejam comuns, as realidades são diversas. Trabalhadoras rurais apontaram entraves históricos para acessar terra, crédito e assistência técnica. Já representantes do setor marítimo destacaram conquistas recentes da categoria, como a garantia de proteção e remuneração integral para gestantes.
Outro tema recorrente foi a necessidade de enfrentar de forma conjunta as desigualdades de gênero, raça e classe. Participantes ressaltaram que as mulheres negras seguem entre as mais afetadas pela precarização do trabalho, pela violência e pelas barreiras ao acesso a cargos de liderança, reforçando a importância de políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial.
A busca por maior participação feminina nos espaços de decisão também apareceu nas discussões sobre ciência e tecnologia. A ministra, Luciana Santos, destacou que as mulheres seguem enfrentando obstáculos para alcançar cargos de liderança, apesar dos avanços registrados na formação acadêmica.
“As mulheres estudam, produzem conhecimento e se qualificam, mas ainda enfrentam barreiras para chegar aos espaços de liderança. Precisamos garantir acesso, permanência e ascensão das mulheres na ciência, na tecnologia e na inovação”, afirmou.
Uma agenda para ampliar direitos
A ampliação das políticas públicas para as mulheres também esteve entre os temas debatidos. Representando o Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues destacou os avanços na construção do Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres e da Política Nacional de Cuidados, apontada como uma ferramenta importante para enfrentar desigualdades historicamente associadas ao trabalho de cuidado. O debate também reforçou a defesa da igualdade salarial, da participação feminina na vida política e sindical e da ampliação da representação de mulheres LGBTQIAPN+ nos espaços de decisão.
Jhay Lopes Ferreira, secretária de Gênero e Diversidade da entidade, defendeu que o movimento sindical incorpore de forma mais efetiva as mulheres LGBTQIAPN+ em suas estruturas e pautas. “Nossos sindicatos também são formados por lésbicas, bissexuais, mulheres trans e tantas outras identidades que precisam estar representadas e respeitadas.”, pontuou.
Ao final dos trabalhos, as participantes reafirmaram a defesa de uma sociedade baseada na igualdade de direitos, na justiça social e na valorização do trabalho. A resolução aprovada servirá como referência para as ações das mulheres da CTB nos próximos anos e para a articulação de pautas comuns entre trabalhadoras de diferentes categorias e regiões do país.
Por Natália Padalko





