Desgraça pouca é bobagem: além de uma economia estagnada e desemprego nas alturas, o Brasil padece agora com o avanço da carestia

O presidente genocida e o ministro do mercado se esforçam por aparentar otimismo, mas a situação da economia brasileira não dá margem convicente para otimismo, é deveras alarmante. Informações da FGV sinalizam um recuo, de 0,7%, do PIB brasileiro em abril, mês em que – não custa recordar – a taxa de desemprego bateu um novo recorde em sua história, fechando em 14,7%.

Conforme notou o economista Claudio Considera “ainda é cedo para afirmar que a economia está crescendo de forma sustentável. Para que isso ocorra é necessário que um percentual maior da população esteja vacinado [contra a Covid-19]”, já que existe uma fina sintonia entre a pandemia e a crise econômica, que o governo não quer enxergar.

Ao todo, somando aqueles que o IBGE considera desalentados, temos em números absolutos mais de 21 milhões de trabalhadores e trabalhadoras amargando um ócio involuntário, fruto da política econômica comandada pelo banqueiro e rentista Paulo Guedes, um ministro a serviço do chamado mercado (leia-se grandes capitalistas nacionais e, sobretudo, estrangeiros dos EUA e Europa).

A este exército devem ser acrescentados milhões de brasileiros e brasileiras que se viram à base dos “bicos”. Na população em idade ativa mais de 50% (em torno de 79 milhões) estão desocupados. É uma tragédia econômica e social. Um atestado de incompetência para a política neoliberal de Guedes e Bolsonaro, que só serve aos interesses do Capital.

Como desgraça pouca é bobagem o infortúnio dos brasileiros pobres ganhou por aditivo a praga da carestia. A inflação para os mais pobres já é bem mais relevante do que para as classes médias e alta em função da elevação assimétrica dos preços de alimentos, transportes, aluguéis e gás de cozinha.

Sobre este último item, que pesa sobremaneira no orçamento das famílias mais pobres, a Petrobras informou um novo reajuste, de 5,9%, em vigor desde a última segunda-feira (14), conforme revela a ilustração acima. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), também anunicou o aumento nas contas de luz neste e no próximo ano.

Leia abaixo matéria da Agência Brasil sobre o recuo da atividade econômica em abril:

O Monitor do PIB-FGV indicou um recuo de 0,7% na atividade econômica em abril , em relação a março, e crescimento de 0,3% no trimestre móvel terminado em abril, frente ao concluído em janeiro. Os resultados ocorrem na análise da série sem os efeitos sazonais.

Já na comparação interanual, a economia avançou 12,3% em abril e 5,3% no trimestre móvel completado no mesmo mês. Em termos monetários, a estimativa é que o Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) atingiu, no acumulado do ano até abril de 2021, em valores correntes, R$ 2,7 trilhões . Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (16), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

Para o coordenador do Monitor do PIB-FGV, Claudio Considera, o alto crescimento da economia em abril em relação a abril de 2020 deve-se à comparação com uma base deprimida, uma vez que, em abril do ano passado, a economia atingiu a maior queda na série histórica iniciada em 2000.

“Isso fica evidente quando analisada a evolução do PIB contra os meses imediatamente anteriores, onde a atividade econômica não tem apresentado desempenho tão robusto. Esses resultados mostram que ainda é cedo para afirmar que a economia está crescendo de forma sustentável. Para que isso ocorra é necessário que um percentual maior da população esteja vacinado [contra a Covid-19]”, observou.

Sazonalidade

Neste relatório do Monitor do PIB-FGV, o Ibre fez ainda um exercício adicional utilizando a série com ajuste sazonal [típico de determinada estação ou época], porque a pandemia influenciou os fatores sazonais de 2020, que podem não estar relacionados à sazonalidade.

Segundo o relatório, alguns institutos de estatística internacionais têm feito análises desses impactos e, por isso, além do ajuste sazonal habitual referente ao período de janeiro de 2000 a abril de 2021, foi realizado, adicionalmente, o ajuste sazonal para 2020 e 2021 “considerando os fatores sazonais referentes a 2019 e o fator calendário corrente”.

Conforme os resultados, caso os fatores sazonais da série do PIB utilizados sejam aqueles do período de 2000 até 2019, a taxa de variação em abril de 2021 seria de -1,5%, menor que a de -0,7% observada considerando todo o período de 2000 até abril de 2021.

“Esses resultados sugerem que as taxas ajustadas sazonalmente devem ser analisadas com cautela, pois a pandemia pode ter influenciado os fatores sazonais não apenas por razões econômicas como também estatísticas”, recomendou o relatório da FGV.

Famílias

O consumo das famílias avançou 4% entre fevereiro e abril, na comparação com o mesmo período do ano passado. Houve crescimento em todos os componentes do consumo. Os destaques foram o crescimento significativo dos produtos duráveis (29,1%) e semiduráveis (24,2%).

“É importante destacar que o consumo de serviços cresceu pela primeira vez desde janeiro de 2020”, comentou o Ibre.

Capital

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), investimentos das empresas realizados em determinado tempo, que permitem o aumento da capacidade produtiva da economia, cresceu 17,3% no trimestre móvel terminado em abril em comparação ao mesmo período do ano passado.

“Mais uma vez, pelo quarto mês consecutivo, todos os componentes da FBCF apresentaram crescimento, sendo o principal destaque o componente de máquinas e equipamentos”, indicou.

Exportação

As exportações também aumentaram no trimestre móvel concluído em abril. A alta ficou em 9,5%, em comparação ao mesmo período de 2020. O resultado, segundo a avaliação do Ibre, deve-se ao crescimento de todos os segmentos exportados, com exceção dos produtos da extrativa mineral.

Importação

A importação também registrou crescimento elevado de 20,7% no trimestre móvel findo em abril, em comparação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi influenciado principalmente pelo crescimento de bens intermediários.

“A importação dos serviços, embora tenha sido a única queda da importação nesse trimestre (-0,9%), já sinaliza melhora em comparação com as fortes quedas apresentadas nos trimestres anteriores”, finalizou o Ibre.

CTB

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