Elo com Vorcaro afunda Flávio e redefine disputa eleitoral

De olho nas pesquisas e na mídia, o jornalista Altamiro Borges analisa o impacto do caso Vorcaro, a blindagem da grande imprensa e os desafios do campo popular no Entrelinhas Vermelhas

A disputa eleitoral de 2026 ocorre num ambiente de polarização extrema — e nesse cenário, as pesquisas, a cobertura jornalística e as redes sociais ganham peso decisivo na chamada “guerra de narrativas”. As últimas semanas trouxeram movimentos significativos: a melhora na aprovação do presidente Lula, a queda expressiva de Flávio Bolsonaro nas intenções de voto — com recuo de 15 pontos entre eleitores evangélicos — e a revelação, pelo The Intercept Brasil, da relação entre o candidato da família Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Para debater esse e outros temas, o Entrelinhas Vermelhas desta quinta-feira (21) recebeu o jornalista Altamiro Borges, o Miro, coordenador nacional do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Com décadas de trajetória na comunicação popular, Miro analisa como a grande mídia tentou abafar o escândalo Vorcaro, qual o papel do jornalismo independente nesse processo — com destaque para o trabalho do Intercept —, e por que, apesar da melhora nas pesquisas, o campo progressista não pode baixar a guarda.

Na conversa, conduzida pelo apresentador Inácio Carvalho e pela jornalista Larissa Gold, o debate passa pelas manobras da mídia hegemônica em busca de uma “terceira via”, pela influência do capital financeiro e do Congresso na disputa eleitoral, e pelo papel estratégico da comunicação alternativa na formação política e na batalha digital.

Pesquisas: nem euforia, nem depressão

Antes mesmo do escândalo Vorcaro vir à tona, a pesquisa Quest já captava uma virada favorável a Lula, puxada por quatro fatores: a declaração de Trump chamando o presidente de estadista, o Desenrola 2.0, a isenção do IR e a derrota do senador Silvio Nogueira. Com o estouro do escândalo pelo Intercept, a Atlas Intel registrou queda de quase seis pontos em Flávio Bolsonaro — e de 15 pontos entre eleitores evangélicos. Mesmo assim, Borges pediu cautela: “A eleição, para o povão, não começou. Vai começar depois da Copa do Mundo, com o horário eleitoral, a partir de agosto.”

O escândalo e a blindagem da mídia

A revelação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro — preso e investigado por ligações com o crime organizado — expôs também as entranhas da mídia hegemônica. O Grupo Folha encurtou o período de campo do Datafolha de três para dois dias para não capturar o impacto do caso nas pesquisas. “Foi uma operação abafa. Uma manobra rasteira, chimfrim”, afirmou Miro. Parte da mídia também tentou generalizar a crise do Master, equiparando esquerda e direita. “O Master é cria da extrema direita. Só cresceu nas sombras do governo Bolsonaro, com Roberto Campos Neto no Banco Central — e a mídia quase não fala nele”, disse.

Apesar das denúncias em cascata, Altamiro avalia que Flávio deve manter a candidatura até as convenções de julho e agosto. Retirar o nome seria entregar o controle do bolsonarismo para outros, como Nikolas Ferreira. “Para a família Bolsonaro, largar a candidatura seria dar um tiro na cabeça do clã”, analisou. Michelle Bolsonaro também foi descartada como alternativa: as pesquisas mostram que ela não tem a força alardeada, e o escândalo do irmão respinga em toda a família.

O papel do Intercept e da mídia alternativa

O destaque do programa foi o elogio ao The Intercept Brasil: com equipe reduzida e em campanha de arrecadação para sobreviver, o veículo foi responsável por revelar o escândalo que derrubou Flávio nas pesquisas. “Será que a Globo não poderia ter feito essa denúncia? Não fez porque não quer. Não é a linha política da emissora”, disse Miro. Para ele, a imprensa alternativa progressista é peça-chave na batalha de narrativas: “Todos os sites do campo progressista têm feito excelentes matérias que alimentam a batalha nas redes e o trabalho de formação para enfrentar essa guerra eleitoral.”

O programa Entrelinhas Vermelhas vai ao ar toda quinta-feira, às 17h, pelo canal TV Vermelho no YouTube e no Spotify do Portal Vermelho.

Por Barbara Luz

Fonte
Vermelho

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