Esperança, substantivo feminino

Dentro da campanha “LUGAR DE MULHER É… MUDANDO O MUNDO!”, o Portal da Contee traz um artigo escrito pelo consultor jurídico da Confederação, José Geraldo de Santana Oliveira, escrito por ocasião do Dia Internacional da Mulher, celebrado no último 8 de março. Confira.

Por José Geraldo de Santana Oliveira*

Na fala e no sonho dos homens palpita a ânsia
Por dias melhores no porvir;
Terras abençoadas de ventura e abundância
Todos vivem, dia e noite, a perseguir.
O mundo envelhece, o mundo se renova
E o homem não se cansa de esperar a boa-nova.
A esperança entra na vida e dela não sai
Toma de assalto o moço em sua alegria.
E a criança ao seu encontro também vai.
Com o velho não se extinguirá na cova fria;
Pois mesmo ante o corpo morto que descansa,
Planta o homem, em seu túmulo, a esperança.
Não é delírio, aduladora quimera
Urdida no cérebro dos alucinados.
Mas reflexão que o coração pondera:
Para o melhor é que fomos gerados.
E por ter a voz interior sempre razão,
A alma que assim espera, não espera em vão.

(Frederico Schiller — 1759-1805 —, tradução de Rainer Patriota)

Esperança é o vívido e transcendente símbolo do dia 8 de março, ontem, hoje e sempre, desde que se imortalizou em 1857, com o massacre de 129 operárias, em Nova York; esperança de dias melhores, no presente e no porvir; dias em que mulheres e homens sejam efetivamente iguais em direitos e obrigações, como preconizam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a Declaração Internacional dos Direitos Humanos e a Constituição da República Federal do Brasil; dias em que as mulheres não sejam vítimas de nenhuma desigualdade de oportunidades, de violência física e psicológica, não sejam humilhadas com posições subalternas, com remunerações discriminatórias e com qualquer centelha de misoginia.

Por essas justas e boas razões, 8 de março é dia de júbilo, pela infatigável e invencível determinação de mulheres e homens que lutaram, lutam e lutarão bravamente para que se realizem; dia de comemoração, pelo que já foi desbravado e conquistado, muito embora ainda se ache distante a verdadeira libertação social; dia de reflexão sobre os desafios presentes e vindouros; dia de mulheres e homens renovarem o inafastável compromisso de pôr abaixo, perene e impiedosamente, as repugnantes amarras sociais, econômicas e políticas que, de forma antinatural e anti-humana, os fazem desiguais em direitos e obrigações; enfim, dia em que a esperança se fortalece, em todas/os quantos não a abandonaram, nem por um milésimo de segundo, em que renasce, para as/os que, mesmo que por um só momento, dela se afastaram

Assim como não há matéria (conceito físico) sem movimento; não há conquista social sem luta; não há luta sem utopia; e não há utopia sem esperança; e 8 de março é dia de esperança, que é a expressão da voz interior — farol da busca por dias melhores, dias de real, efetiva e integral igualdade social —, que tem sempre razão, como anunciam os belíssimos versos do poema de Schiller, que, não por mera coincidência, tem como título a esperança.

Por tudo isso, jamais o 8 de março foi, é ou será dia de lamentação, de desânimo, desolação e tristeza.

Oito de março: ontem, hoje e amanhã, é o alimento da esperança; no porvir, será o dia de festa maior, pela igualdade que chegou, quando, então, irá para o panteão da história.

Vivas eternas ao 8 de março!

*José Geraldo de Santana Oliveira é consultor jurídico da Contee

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