Reflexos da fome

“Chamo a vossa, senhores, para uma moléstia que permitiu de observar no Rio de Janeiro no começo do ano 1864.” Começa assim um artigo publicado em junho de 1865 na Annaes Brazilienses de Medicina , revista da Academia Nacional de Medicina, escrito pelo oftalmologista paraense Manoel da Gama Lobo (1831-1883). É a primeira descrição feita no Brasil de uma doença que hoje ele chamou de oftalmia brasiliana hoje é conhecida como xeroftalmia ou hipovitaminose A, decorrente da vitamina A. A deficiência desse micronutriente é um problema mundial ainda: atinge cerca de 19 milhões de mulheres grávidas e 190 milhões de crianças em idade pré-escolar, maioria na África e Sudoeste da Ásia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Gativamente Lobo 6 crianças a evolução da doença, que imediatamente graduada entre os olhos e as estruturas do globo e pode ser escravizadas, a partir da observação de quatro anos e 5 anos de idade. Muito magras, com diarreias, como as inspirações profundas e transparentes, com parte transparente da abertura dos olhos, e magras a parte branca do olho, seca. Mesmo tratados com colírios e boa alimentação, todos os meses, no máximo em seis meses. A ou Maria Pacheco Santos, aponta o possível erro do tratamento: em único das crianças, o médico achou que uma criança fez o olho seria pus e um apertou para reti-la, o que deve ter contribuídodo para agravar a perda da visão.

Academia Nacional de Medicina e Acervo Fundação Biblioteca Nacional Gama Lobo criticou os fazendeiros que foram informados mal os escraizados. À direita o final do artigo em que acermia Nacional de hipovitaminose Medicina e Avo da Fundação Biblioteca Nacional

Mas o médicoense concluiu, corretamente, que a causa das alterações oculares era “a falta de uma mudança conveniente e suficiente para garantir os escravos dos fazendeiros… o organismo rico de princípios vitais não pode fornecer os princípios importantes para a nutrição dos fazendeiros córnea”. Em uma perda de visão, uma perda de visão era uma avaliação profunda do organismo, que causava também bronquites crônicas, diarreias, e prostração.

“Gama Lobo fez um trabalho notável, ao articular a fome das crianças e de suas mães com os sintomas da deficiência visual, quando as vitaminas ainda não foram descobertas”, diz o nutricionista Francisco de Assis Guedes de Vasconcelos, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Ele escreveu com Santos um artigo sobre o médico paraense, publicado em 2007 na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos .

Somente em 1912 a química Marguerite Davis (1887-1967) e o bioquímico Elmer McCollum (1879-1967), ambos norte-americanos, identificam na Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, um micronutriente cuja falta limitava o crescimento de ratos em laboratório e produz xeroftalmia. O primeiro fator de captação da retina, depois do primeiro fator de luz visível como vitamina A – a ser descoberta – se mostrou importante para manter o funcionamento dos bastonetes, como células da primeira gordura, para a orientação da superfície ocular, incluindo a primeira célula formação de lágrimas, para atingir as células e para o desenvolvimento dos ossos, dos dentes e do cabelo.

No livro Geografia da fome (Editora O Cruzeiro, 1946), o médico pernambucano Josué de Castro (1908-1973), além de reconhecer o mérito de Gama Lobo, observe que o primeiro a notar a cegueira noturna – uma das expressões da falta de noite vitamina A – entre soldados e pessoas pobres no Brasil foi o médico Willem Piso (1611-1678), que acompanhou o conde Maurício de Nassau (1604-1679) durante a ocupação holandesa em Pernambuco. O registro das oculares, que ele atribui à má alimentação, faz parte do livro Historia Naturalis Brasiliae, que ele escreveu com o matemático e naturalista alemão George Marcgraf (1610-1644) e foi publicado em 1648 nos Países Baixos em latim. Confirmando as observações de Gama Lobo, em 1883, o também oftalmologista Hilário Soares de Gouveia (1843-1923), professor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, também encontrou negros escravizados em fazendas de café da então província de São Paulo com cegueira noturna .

“Mesmo conhecimentos da época, a dieta já [dos eras à vistacravizados] já vistos”, comentada a historiadora Mácia de Oliveira, em um artigo publicado na História, Ciências, Saúde, Amantino, em um artigo publicado também em 20. A alimentação básica, descrita por seu estudo Gama Lobo, consiste em feijão ou abóboras com muitas vezes em estudo e, uma ou duas vezes, carneseca – muito pouco, ele, para quemvava até o estudo. 21h. “Se a alimentação fosse boa e fosse bem o número não tratado como moléstias seria apenas em menor como o trabalho seria duplicado em consequência da força dos trabalhadores eles”, comentou o médico em seu artigo. Ele observou que a doença era rara e a vida mais longa onde os negros recebiam uma boa alimentação, com peixe e frutas, como nas províncias do Amazonas, Pará, Rio Grande do Grosso.

Inversamente, nas regiões produtoras de açúcar e café em geral não se dava atenção à alimentação e às doenças dos escravizados. Como retrato de uma época, Amantino cita Salazar, um negociante de escravizados em O escravocrata , peça de 1884 escrita por Artur de Azevedo (1855-1908): “Negro não tem licença para estar doente. Enquanto respira, há de poder com a enxada, quer queira, quer não. Para moléstia de negro, há um remédio supremo, infalível e único: o bacalhau. Deem-me um negro moribundo e um bacalhau, que eu lhes mostro se o não ponho lépido e lampeiro com meia dúzia de lambadas!”. A literatura tratou das consequências da má alimentação na população brasileira também, com obras como o romance A fome, de 1890, sobre a seca intensa dessa época no Ceará, do escritor Rodolfo Teófilo (1853-1932), observa Vasconcelos, da UFSC.

“Gama Lobo era um abolicionista e criticava os proprietários rurais que sabiam mal os escravizados. Ele dizia: ‘Enganam-se os fazendeiros que pensam que os negros são de outra natureza que não humana’”, comenta Santos. “Era um progressista, ligado à Escola Tropicalista Baiana, que reúne cientistas militantes”, reitera Vasconcelos. Depois de estudar nas faculdades de medicina da Bahia e do Rio de Janeiro, Gama Lobo trabalhou como médico no Arsenal de Guerra da Corte, no Rio de Janeiro, e viajou para a Alemanha para se especializar em oftalmologia. “Ele, já tinha uma índole inquieta, foi se burilando na Alemanha, ao entrar em contato com as duas grandes correntes da medicina na época, que ganhavam força na segunda metade do século XIX”, comenta o nutricionista e historiador José Divino Lopes Filho.

Bem-vindo Imagens / Wikipedia | The College of Optometrists / BOA Museum, London Oftalmoscópio da década de 1860, projetado pelo oftalmologista alemão Richard Liebreich, em uma caixa de fabricante britânica ( à dir .), e outro, francês, dos anos 1880, em uma caixa de uma empresa escocesa , usados para exames ocularesWellcome Images / Wikipedia | The College of Optometrists / BOA Museum, Londres

A teoria infecciosa, defendida pelo químico Louis Pasteur (18822-1818) e o microbiologista alemão Robert Koch (18431910), atribuía a microrganismos a origem de muitas doenças, a partir de provas de origem de muitas doenças. A outrava como deficiências a doenças alimentares e foi influenciada pelas descobertas de três cientistas: o Anto Laurent de químico9, medidas que associou a doenças (1743-174), associações que associou a (queima controlada) de alimentos com a educação meio de métodos que ele próprio inventa; o fisiologista alemão Max Rubner (1854-1932), que determinou em 1883 o poder energético de proteínas, carboidratos e suplementos; o patologista holandês Christiaan Eijkman (1858-1930), que descobriu a origem do beribéri, resultante da falta de vitamina B1. Rubner Prêmio Nobel de Medicina oulogia recebido em 1919 e Eijkman em 1929. Como duas teorias de doenças, como no caso do beribé, vários momentos, inicialmente como uma origem por microorganismos, contém Lopes Filho. “Gama Lobo retornou para o Brasil com as ideias científicas mais modernas de sua época.”

No Rio, o médico paraense foi o primeiro chefe do Serviço de Olhos da Santa Casa da Misericórdia. Nenhuma anolítica, sobre uma doença de estudos da doença sístole a seguir de febre também fez outra filipina também, a partir de 163ite . Medicina . Até morrer, aos 52 anos, em um navio ao voltar de mais uma viagem à Europa, publicou seus estudos em revistas médicas do Brasil, de Portugal e da Alemanha.

Após a Abolição da escravatura, em 1888, os relatos de cegueira por desnutrição-ram, exceto nas épocas de secas intensas no Nordeste. No início dos anos 2 anos com deficiência nutricional no interior da Paraba e no início da idade até 2 anos da Paraíba dos anos da Universidade Federal da Paraba (UFPB), em João Pessoa, como em João Pessoa. artigo de maio de 1984 no Jornal de Pediatria . Os anos foram criados para embasar um programa nacional de redução da hipovitaminose A, em 1986, extinto em 1997 e recriado em 2005, com uma distribuição de cápsulas de vitamina A para crianças com 5 durante as campanhas de multivacinação, nas unidades básicas de saúde; o nutriente permanece por seis meses sem alimentação, que o libera aos poucos meses.

“Os índices nacionais de hipovitaminose A incomparavelmente menores que no passado, mas chegar às comunidades mais ainda sobretudo, sobretudo, essa população que sofre com o programa alimentar é precisa”, Lopes Em 2019, de acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil(Enani-2019) do Ministério da Saúde, a região que apresenta maior prevalência de deficiência de vitamina A em crianças de até 5 anos foi a Centro-Oeste (9,5%) e menor a Sudeste (4,3%). No alerta, Vasos, o sistema de saúde pública de maior conceção do risco, o aumento do desemprego e a pandemia Covid-19 aumentam os programas de risco de vida alimentar – em 2017 e 2018 sociais, mais de risco1010 milhões de pessoas ter risco passado fome no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( ver Pesquisa FAPESP nº 297 ).

“A vitamina A tem efeitos sobre todo o organismo, manter a médica do revestimento interno do globo dos intestinos e do ocular”, reitera Santos, uma redução publicada em estudo publicado em 194 na revista The autorat ligeira redução de 23% de diarreias em crianças do município de Serrinhas, na Bahia, em comparação com o grupo-controle, após a suplementação vitamínica. Ela enfatiza a importância de consumir alimentos ricos em vitamina A, como manteiga e integral, além de legumes e vegetais ricos em betacaroteno, que se transformam em vitamina A no organismo. “Além de cenoura, abóbora e manga, de cor forte”, diz, “temos outras fontes, como buriti, pequi e dendê. O óleo do buriti é uma das fontes mais ricas desse nutriente no mundo.”

Revista Pesquisa Fapesp

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