Ratinho Jr terceiriza cursos técnicos e ameaça empregos de professores do Paraná

Terceirização de parte do Ensino Médio Profissional também prejudica estudantes, que sofrerão com queda da qualidade de ensino, denuncia Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato)

Os professores e as professoras da rede pública do estado do Paraná, contratados por meio do Processo de Seleção Simplificado (PSS), correm o risco de perder os empregos desde que o governo de Ratinho Júnior (PDS) decidiu terceirizar parte do Ensino Médio Profissional. Já os estudantes, sofrerão com a queda da qualidade de ensino, denuncia o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato).

Em dezembro de 2021, a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (Seed-PR) anunciou que os cursos técnicos integrados de Administração, Agronegócio e Desenvolvimento de Sistemas passariam a ter aulas ministradas por professores da faculdade privada Universidade Cesumar (Unicesumar). Com isso, professores só pegarão aulas remanescentes do curso antigo, que acabarão em 3023 ou 2024.

Governo mente para justificar privatização

A justificativa dada pelo governo de Ratinho Júnior para privatizar parte do ensino médio profissional foi duramente contestada pela direção da APP-Sindicato por sem mentirosa, seguindo a entidade.

Segundo a Seed, a parceria com a instituição privada foi feita pela dificuldade de encontrar “profissionais habilitados para trabalhar os componentes específicos desses cursos técnicos, especialmente em cidades menores.”

A direção da APP-Sindicato rebate afirmando que a  justificativa da secretaria é mentirosa. De acordo com o sindicato, desde 2019 profissionais trabalharam e se capacitaram para formular e implementar os currículos dos novos cursos nos colégios onde trabalham.

“Trata-se de um duplo desvio: o Estado entrega à iniciativa privada não apenas recursos financeiros dos cofres públicos, mas também a produção intelectual de servidores”, diz nota da APP-Sindicato.

Professores serão trocados por monitores

A nota explica ainda que, contrastando com a alta qualificação dos professores e professoras disponíveis na rede, a Unicesumar vai colocar nas salas de aula monitores que precisam ter apenas o Ensino Médio completo.

Sem qualificação pedagógica, segue a nota, esses jovens serão o único contato presencial dos estudantes com as disciplinas e vão receber apenas R$ 8 por hora trabalhada, o equivalente a R$ 640 para 20h. Sua tarefa será mediar a transmissão de aulas síncronas por professores da empresa, que atenderão até 20 turmas simultâneas.

“Além da erradicação progressiva de carga horária disponível para professores, há muitos problemas do ponto de vista pedagógico”, avalia Vanda Bandeira Santana, secretária Educacional da APP.

“Se é pela televisão, como haverá interação? Será possível tirar dúvidas? Se o aluno falta, como tem acesso ao conteúdo? Como serão as avaliações?”, questiona.

CUT

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